A onda de livros gerados por IA
Ricardo Lombardi · 2026-07-03
A Amazon é a maior empresa de venda de livros digitais do mundo. A dona do Kindle disponibilizava, em 2022, 100 mil novos livros por mês, número triplicou em 2025, como relata o Painel das Letras.
O crescimento expressivo chamou a atenção dos pesquisadores Imke Reimers e Joel Waldfogel, nos Estados Unidos. Um estudo assinado pelos dois apontou que cerca de 60% dos lançamentos do ano passado foram produzidos por inteligência artificial.
O escritor francês Julien Blanc-Gras denunciou na última semana ao jornal Le Monde que um livro gerado por IA estava sendo vendido pela Amazon creditando-o como autor. Blanc-Gras afirmou que não havia escrito nem publicado "Guia Completo de Aventuras: Um Manual de Sobrevivência para o Viajante Moderno" e conseguiu retirar a obra do site.
A plataforma Kindle Direct Publishing, da Amazon, exige que o publicador determine se o trabalho foi “gerado por IA”, mas não se teve assistência dessa ferramenta. O site, no entanto, não remove obras por serem feitas por inteligência artificial, mas conteúdos que violem suas diretrizes, sejam criados por humanos ou não.
Outro episódio notável envolvendo a IA nesta semana aconteceu no prêmio Commonwealth Short Story, que reconhece contos de autores de países de língua inglesa. Após um dos vencedores da última edição ser acusado nas redes sociais de ter usado inteligência artificial, a revista Granta —que publicava os ganhadores desde 2012— encerrou a parceria em nome da “integridade editorial”.
O acusado Jamir Nazir, autor de "The Serpent in the Grove", diz que não usou IA. Após investigação, a organização do prêmio decidiu concordar com ele. A competição discrimina em suas regras que reconhece trabalhos originais —o que cabe nessa critério, por si só, já rende uma discussão bastante extensa.
Fonte: Folha de S. Paulo
Este tema faz parte do nosso trabalho em Inteligência Artificial Aplicada. Escrito por Ricardo Lombardi.